O selo FSC® é resultado de um trabalho desenvolvido desde 2018 pelo Idesam junto aos extrativistas da RDS do Uatumã e é o único no Amazonas a incluir as categorias madeireiro e não-madeireiro.
Por Samuel Simões Neto
Foto: Aldemar Matias
O mês de fevereiro tornou-se um marco importante para as ações realizadas pelo Idesam na RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Uatumã. Depois de um longo trabalho que envolveu atividades de capacitação, assistência técnica e apoio institucional, a associação-mãe da reserva, a AACRDSU (Associação Agroextrativista das Comunidades da RDS do Uatumã) recebeu, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), a certificação para Manejo Florestal e de Cadeia de Custódia FSC®.
A certificação, com vigência até janeiro de 2027, inclui uma área de produção de 44 mil hectares. Estão contemplados os produtos florestais madeireiros e não-madeireiros desenvolvidos e comercializados pela associação, que tiveram sua estruturação apoiada pelo Projeto Cidades Florestais, do Idesam, financiado pelo Fundo Amazônia /BNDES.
Os produtos fazem parte da marca coletiva Inatú Amazônia, lançada em agosto de 2020, que hoje possui uma linha com seis óleos (fixos e essenciais), a partir de produtos da biodiversidade amazônica, além de objetos de madeira.
A maior expectativa, de acordo com o diretor técnico do Idesam, André Vianna, é que, a partir de agora, os produtos poderão alcançar novos mercados, com um retorno mais interessante do ponto de vista econômico. Ainda assim, o certificado não tem apenas esse objetivo.
“Desde o início do processo de certificação, o grupo de manejadores da AACRDSU e o Idesam focaram no uso dos critérios e indicadores do padrão de certificação FSC como uma ferramenta para melhorar a gestão das atividades produtivas”, explica o dirigente.
“Para nós, isso é uma conquista muito grande, é a certeza que nosso trabalho não foi – e não será – em vão. A certificação nos mostra que vale a pena esperar mais e fazer ‘tudo direitinho’ para termos esse resultado”
– Diana Prado Costa, presidente da AACRDSU
Segundo Vianna, o uso do sistema FSC® permite que o detentor do certificado monitore suas atividades não apenas considerando a qualidade da exploração, mas inclui ainda critérios como: avaliação e mitigação de impactos ambientais e sociais; aspectos de segurança e saúde do trabalhador; entre outros.
Conforme os dados do FSC, hoje, na Amazônia existem sete planos de manejo comunitários certificados, sendo o plano do Uatumã o único que contempla as duas categorias, madeireiro e não-madeireiro (como resinas, óleos e frutos). No Amazonas, até então, apenas a comunidade Vila Céu do Mapiá, localizada na Floresta Nacional (Flona) do Purus, tinha obtido o selo na categoria de madeireiro para comunidades.
“Nesses últimos anos, temos visto, além de uma maior participação de pequenos e médios produtores no sistema FSC, uma diversificação de certificações que vai além da madeira. A história da associação do Uatumã exemplifica claramente essa tendência e representa uma mudança de paradigma – a floresta em todo o seu potencial e a valorização dos povos que ali moram e dela sobrevivem”, celebra Daniela Vilela, diretora executiva do FSC® Brasil.
Na visão de Bruno Castro, coordenador de certificação do Imaflora, certificar a AACRDSU representa contribuir com o desenvolvimento do manejo florestal comunitário no estado, ampliando as condições para que o manejo continue a ser um vetor de desenvolvimento territorial, melhorando a qualidade de vida das pessoas e valorizando a floresta em pé.
“Significa ampliar o acesso da sociedade em geral à produtos da sociobiodiversidade com a marca da certificação FSC, ou seja, produtos com origem responsável e manejados com boas práticas ambientais, sociais e econômicas”
– Bruno Castro, coordenador de certificação do Imaflora
Para obter a certificação, o Idesam realizou diferentes cursos para capacitar os manejadores, tanto em aspectos técnicos, como de segurança e de gestão. Os técnicos do Idesam também acompanham as ações de campo e desenvolvem junto aos manejadores as melhorias necessárias.
Além disso, o financiamento do Fundo Amazônia permitiu ao projeto custear a contratação de consultores para a construção do sistema de gestão hoje utilizado pelo Grupo de Manejadores da AACRDSU, além de ter permitido todo o processo de auditoria florestal.
O esforço valeu a pena. Castro lista uma série de benefícios que poderão ser obtidos pela associação. O primeiro deles é o uso da própria certificação enquanto uma importante ferramenta de gestão de negócio “A associação pode desenvolver e aprimorar a organização das suas documentações pertinentes, a definição das atividades importantes para o sucesso do manejo, a elaboração dos planos de manejo de acordo com a realidade local, a elaboração de procedimentos e protocolos internos, entre outros pontos”.
Além de uma série de melhorias na organização social, nas práticas de manejo e nas condições de saúde e segurança dos trabalhadores, o auditor destaca ainda a rastreabilidade como um dos resultados de maior impacto do processo. Os procedimentos criados, o monitoramento e os registros confiáveis evitam que o produto certificado seja misturado com produtos de origem desconhecida. “Tal resultado é importante para garantir a procedência do produto oferecido ao consumidor”, complementa.
Bruno finaliza a lista de benefícios com os ganhos financeiros que podem ser gerados às famílias que participam da atividade. Ele acentua que, com a marca FSC, a associação pode buscar a inserção em novos mercados, que valorizam os produtos de origem responsável.
“Para a gente, isso significa a chegada de dias melhores, com nossa produção ganhando e gerando cada vez mais valor”, complementa Diana.[:en]Being recognized with the FSC seal is the result of a work being carried out by Idesam with the extractivists from the Uatumã Reserve since 2018 and so far this is the only experience in the state of Amazonas to include the timber and non-timber categories.
By Samuel Simões Neto
Image: Aldemar Matias
January became an important milestone for the actions undertaken by Idesam in the Uatumã Sustainable Development Reserve (RDS). After a long work that involved capacity building activities, technical assistance and institutional support, the Reserve’s main association, the AACRDSU (Association of Agroextractivist Communities of the Uatumã RDS) received, from the Institute for Forest and Agriculture Management and Certification (Imaflora), the FSC’s (Forest Stewardship Council) Forest Management and Chain of Custody certifications.
The certification, which is valid until January 2027, includes a production area of 44 thousand hectares. It encompasses timber and non-timber forest products developed and sold by the Association, which had its structuring supported by Idesam’s Cidades Florestais Project (Forest Cities in English), financed by the Amazon Fund/BNDES.
The products are part of the Inatú Amazônia collective brand, launched in August 2020, which today has a line with six oils (fixed and essential), from products of the Amazon biodiversity, as well as objects made of wood.
The main expectation, according to the technical director of Idesam André Vianna, is that, from now on, the products will be able to access new markets with a more interesting return from the commercial point of view. Still, the certificate does not have only this single goal.
“Since the beginning of the certification process, the collaborators from AACRDSU and Idesam focused on the use of the criteria and indicators of the FSC certification standard as a tool to improve the management of productive activities”, explains Vianna.
“For us, this is a very big achievement, it is the confirmation that our work was not – and will not be – in vain. The certification shows us that it is worth waiting longer and doing ‘everything the right way’ to have this result”
– Diana Prado Costa, president of AACRDSU
For Vianna, the use of the FSC system allows the certificate holder to monitor its activities not only considering the quality of the operations, but also includes criteria such as: evaluation and mitigation of environmental and social impacts; safety and health aspects of the worker; among others.
According to FSC data, today, in the Amazon there are 7 certified Community Forestry Management plans, being the Uatumã plan the only one that contemplates both categories, timber and non-timber (such as resins, oils and fruits). In the Amazon, until then, only the community Vila Céu do Mapiá, located in the Purus National Forest, had obtained the timber seal for communities.
“In recent years we have seen, besides a greater participation of small and medium-sized producers in the FSC system, a diversification of certifications that goes beyond timber. The story of the Uatumã association clearly exemplifies this trend and represents a paradigm shift – the forest in all its potential and the appreciation of the people who live and survive on it”, celebrates Daniela Vilela, Executive Director of FSC Brazil.
In the eyes of Bruno Castro (Imaflora’s certification coordinator), certifying the Association means contributing to the development of community forest management in the state, increasing the conditions for forest management to keep being a vector for territorial development, improving people’s quality of life and valuing the standing forest.
“It means expanding the access to products from sociobiodiversity with the FSC certification label, what means, products with responsible origin and managed with good environmental, social and economic practices”
– Bruno Castro, Imaflora’s certification coordinator
To obtain the certification, Idesam held different courses to train the managers, both in technical, safety, and management aspects. Idesam’s technicians also monitor the field actions and develop the necessary improvements with the managers.
In addition, the Amazon Fund financing allowed the project to hire consultants to build the management system now used by the AACRDSU Collaborators Group, and also allowed for the entire forest auditing process.
The effort was worth it. Castro lists a number of benefits that can be obtained by the Association. The first of these is the use of certification itself as an important business management tool: “The association can develop and improve the organization of its relevant documentation, the definition of important activities for the success of the management, the elaboration of management plans according to the local reality, the elaboration of internal procedures and protocols, among other points.”
In addition to a series of improvements in social organization, management practices, and workers’ health and safety conditions, the auditor also highlights traceability as one of the results with the greatest impact in the process. The procedures created, the monitoring, and the reliable records prevent the certified product from being mixed with products of unknown origin. “This result is important to guarantee the source of the product offered to the consumer”, he adds.
Bruno finishes the list of benefits with the financial gains that can be generated for the families that participate in the activity. He stresses that, with the FSC mark, the association can seek insertion in new markets, which value products of responsible origin.
“For us, this means the arrival of better days, with our production gaining and generating increasingly greater value”, adds Diana.






