Cadeias Produtivas de Andiroba e Murumuru no Médio Juruá

O estudo – realizado entre maio de 2012 e junho de 2013 em parceria com a Natura – teve como objetivo analisar e propor melhorias para as cadeias produtivas de Andiroba e Murumuru nas comunidades extrativistas da região do Médio Juruá. Com isso, pretende-se aumentar a qualidade dos produtos a um menor custo de produção e com maior retorno financeiro aos coletores de matéria-prima, sem causar danos ambientais.

Aproximadamente 400 famílias, distribuídas em 30 comunidades da margem do Juruá, estão envolvidas nas atividades de coleta de sementes. Trata-se de uma complexa cadeia logística de transporte das sementes de origem florestal, que se estende desde o município de Itamarati, passando por Carauari, até o município do Juruá. Essas comunidades estão compreendidas no interior e no entorno de duas unidades de conservação: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uacari (RDS estadual) e a Reserva Extrativista do Médio Juruá (Resex federal).

 
O projeto foi dividido em três etapas: revisão do estado das cadeias produtivas; avaliação do cenário atual e recomendações técnicas e organizacionais; e proposta de um Programa de Segurança no Trabalho. Para isso, foram realizadas as seguintes atividades:

 

Oficina – Realizada no município de Carauari com a presença de nove associações que trabalham com Andiroba e Murumuru, entre elas: CODAEMJ, AMARU, ASPROC e CNS;

Entrevistas – O projeto entrevistou coletores, prestadores de serviços (separadoras de sementes, carregadores, etc.). Foram entrevistados 149 coletores agroextrativistas, sete carregadores, 21 separadoras de sementes e 10 funcionários diretos das usinas.

Viagens a campo – realizadas em diferentes períodos do ano (cheia e seca) para acompanhar as atividades dos coletores em campo e obter os dados necessários.

Após mapeamento foi quantificado o custo de produção das cadeias de andiroba e Murumuru, considerando todas as etapas, desde a coleta; passando por transporte para secadores; secagem e armazenamento; até o transporte final. Com isso, o estudo identificou os maiores custos e principais entraves existentes e, a partir disso, discutiu ações e tomadas de decisão em relação aos investimentos e atividades.

O cenário de saúde e segurança no trabalho também foi avaliado, o que permitiu a recomendação de ações preventivas quanto à saúde e segurança no trabalho para as atividades das cadeias produtivas. Como resultado, foi elaborada uma proposta de programa de saúde e segurança no trabalho, contendo seu custo de implementação, a partir dos riscos identificados em todas as etapas da cadeia de produção, dos agentes causadores, da frequência de acidentes e das medidas preventivas sugeridas.

Histórico da produção no Médio Juruá

De acordo com um histórico realizado pela Natura, a comercialização dos óleos vegetais foi iniciada a partir da implantação do projeto de produção de biodiesel como fonte alternativa de energia elétrica pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em 2000.

Contudo, devido ao alto preço de mercado do óleo de andiroba, o projeto mudou de rumo, viabilizou a instalação de uma usina de transformação na comunidade Roque – o maior dos núcleos populacionais da Região – e passou a incentivar a comercialização do óleo de Andiroba e, a partir de 2004, do óleo de Murumuru.

Em 2003, ainda com o apoio da Ufam, foi fundada a Cooperativa de Desenvolvimento Agroextrativista e de Energia do Médio Juruá – CODAEMJ, que começou a adquirir das comunidades da região a produção de sementes de andiroba e murumuru para fazer a extração de óleo.

Após a fundação da CODAEMJ, com o objetivo de aumentar a capacidade de produção de óleos e permitir que os moradores da RDS Uacari pudessem comercializar as semente de andiroba e murumuru, a Associação dos Moradores Agroextrativista da RDS Uacari – AMARU tornou-se parceira da CODAEMJ nestas cadeias produtivas.

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