Matupi ganha primeira área de pecuária sustentável

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Por Melk Alcântara, técnico do Programa Produção Rural Sustentável do Idesam

O Idesam, em parceria com o Incra, trouxe para a Vila de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré, a primeira Unidade Demonstrativa de Sistema Silvipastoril Intensivo para leite.

As unidades de Sistema Silvipastoril, já conhecidas e consolidadas em Apuí, município vizinho, têm caráter demonstrativo e visam incentivar uma pecuária mais sustentável.  Ao invés de abrir novas áreas para a implantação de pastagens, busca-se a recuperação e arborização de áreas já utilizadas.

>> Pecuária silvipastoril ganha novos adeptos em 2016

A propriedade do produtor rural João Rech, localizada no Projeto de Assentamento Matupi, na Vicinal Matupiri, foi a selecionada para receber esta primeira Unidade Demonstrativa, que tem o propósito de mostrar aos produtores da região que pecuária e floresta podem ser grandes aliadas, produzindo sem deixar de ser sustentável.

Um breve histórico de Matupi:

Localizado às margens da BR-230, no sul do estado do Amazonas, o assentamento Santo Antônio do Matupi, mais conhecido simplesmente como “180” por estar a 180 km de distância de Humaitá (município mais próximo) surgiu como um vilarejo de parada da rodovia e foi intensificando seu desenvolvimento com a criação do Projeto de Assentamento Matupi, oficializado pelo Incra na década 90.

Desde então, a população vem crescendo e atualmente chega a 10 mil habitantes. Formada, em sua grande parte, por migrantes de outras regiões do Brasil, a comunidade agrega famílias do sul e sudeste brasileiro, e do estado de Rondônia.

Como a maioria das cidades que surgiram no sul do Amazonas, o projeto também seguiu o modelo de ocupação e produção dos estados próximos, como Mato Grosso e Rondônia, que tem nas extensas áreas de terras florestadas a possibilidade de extração madeireira e a produção agropecuária.

Foi justamente a disponibilidade de terra que atraiu – e atrai até hoje – pessoas de todas as partes do país em busca de um chão para sobreviver. Porém, a realidade nem sempre é a que se espera: a dificuldade logística e os solos pouco férteis, comparados a outras regiões do Brasil, desapontam quem acreditava poder se manter através da agricultura.

Como alternativa de sobrevivência, a maioria migra para a atividade pecuária, na confiança de uma vida melhor, onde quase sempre encontra menor risco financeiro, se considerarmos a liquidez do gado, que pode ser vendido a qualquer hora, a valorização do preço da terra e a satisfação dos pecuaristas do local.

Com a atividade pecuária como base da economia local, ao lado da extração de madeira, vieram também os grandes problemas ambientais com altos índices de degradação florestal e desmatamento, o que fez com que o município ocupasse ao lado dos vizinhos Apuí, Lábrea e Boca do Acre, o incomodo título dos que mais desmatam no estado.

É neste contexto que entendemos a importância de criar unidades demonstrativas como a do produtor João Rech.  Esperamos que cada vez mais produtores rurais invistam em técnicas para o desenvolvimento local, com menor impacto ambiental.

E que essa seja a primeira de muitas outras unidades demonstrativas de sistemas sustentáveis em Matupi, local com características tão distintas do restante do estado, mas com grande potencial para crescer com responsabilidade.

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