RDS do Uatumã mais perto de implantar TBC

Por Aline Radaelli, da Incubadora de Negócios Florestais do Idesam – 

Foi realizado, entre os dias 5 e 8 de fevereiro, o workshop de Turismo de Base Comunitária (TBC) na RDS do Uatumã, organizado pelo Idesam em parceria com o Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc) e a Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

O workshop foi realizado com o intuito de apresentar o amplo leque de opções turísticas, bem como discutir as potencialidades previstas no Plano de Uso Público da RDS e apresentar uma nova proposta de gerenciamento e operação do turismo na reserva. Foram convidadas ONGs que possuem larga experiência com TBC, como Ipê e Nymuendaju, além de comunitários de outras Unidades de Conservação, instituições governamentais e imprensa local. Duas agências operadoras de turismo também participaram do evento, Estação Gabiraba e Turismo Consciente, que possuem um olhar mais sensível em sua atuação junto às comunidades tradicionais.

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Debate Técnico sobre o Turismo de Base Comunitária

A agenda do encontro se iniciou com a noite de confraternização de abertura logo que embarcamos no barco responsável por nosso deslocamento. Com uma roda de apresentação dos presentes, todos nós compartilhamos um pouco de nossas experiências e expectativas em relação à atividade que iríamos desenvolver nos dois dias seguintes.

O segundo dia foi reservado para o percurso ao longo da RDS, onde os participantes puderam ver algumas opções de acomodações – pousada do Magaiva, pousada flutuante do seu Aldemir e pousada modalidade “Café & Cama” na casa do comunitário José Monteiro, o “Papa” –, algumas paisagens peculiares da região amazônica como o igapó e a campinarana, e visitaram algumas atividades geridas pelos comunitários como sistemas agroflorestais, tabuleiros de preservação de quelônios e viveiro de mudas.

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Pousada flutuante do comunitário Aldemir Queiroz e pousada comunitária do “Magaiva”

Após conhecer um pouco das opções turísticas, o terceiro dia foi exclusivo para o debate técnico, que se desenvolveu de forma bastante participativa. Pudemos discutir qual seria o ideal de gestão, as estratégias para uma fiscalização adequada e efetiva, as formas de divulgação dos atrativos e pacotes turísticos, as oportunidades que a RDS oferece e nossos desafios.

Através do decreto que irá regulamentar a atuação da Associação dos moradores da Reserva como operadora e organizadora das atividades – a ser divulgado em breve pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) através do CEUC –, o potencial turístico da RDS do Uatumã poderá, de fato, ser otimizado.

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Grupos de Trabalho formados para debater diversos aspectos do TBC

Alguns encaminhamentos foram traçados. A capacitação constante dos comunitários – demanda levantada por eles mesmos – foi citada como indispensável nesse processo. Além disso, foram citados também propostas de cobrança e fiscalização de embarcações que adentram na reserva e a necessidade de haver parcerias institucionais que fortaleçam a fiscalização, no sentido de reduzir a dependência dos órgãos responsáveis e ter os próprios moradores como fiscais das atividades turísticas ali dentro.

O evento nos trouxe boas ideias, um maior alinhamento com o órgão gestor e governo, o convite para integrarmos o Fórum de Turismo de Base Comunitária do Baixo Rio Negro (leia mais aqui), além de um fôlego a mais para os comunitários que sempre sonharam em ver os atrativos turísticos do Uatumã serem usufruídos.

Sendo a RDS do Uatumã a primeira unidade de conservação do Amazonas a possuir um Plano de Uso Público, chegou a hora de colhermos seus frutos e também espalharmos suas sementes! Para nós do Idesam, os trabalhos envolvendo as atividades de TBC seguirão ao longo do ano, com o ideal e afinco de que esta será mais uma alternativa de geração de renda e trabalho às comunidades.

Participantes ao final do Workshop de TBC

Participantes ao final do Workshop de TBC

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