Noruega anuncia aporte de U$ 25 milhões para redução do desmatamento

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Por Luke Pritchard (GCF Fund)
Tradução e Edição: Idesam

Na última quinta-feira (18), durante a Reunião Anual do GCF, o governo da Noruega anunciou a contribuição de U$S 25 milhões para apoiar ações subnacionais de redução de desmatamento e mitigação das mudanças climáticas nas florestas do México, Peru, Brasil, Indonésia e Nigéria. A contribuição foi anunciada por Hanne Bjurstrøm, enviada especial da Noruega para participar do evento, realizado em Barcelona, na Espanha.

“Dependemos da liderança das jurisdições e governos estaduais em países detentores de florestas tropicais. O apoio a eles é agora mais importante do que nunca. Se agirmos todos juntos, criaremos uma oportunidade de proporções monumentais, vantajosa para todos”, disse Bjurstrøm aos membros do GCF.

O anúncio seguiu uma série de discursos de alto nível de 10 governadores dos estados membros do GCF na Indonésia, Brasil, Nigéria e Peru. Os governadores destacaram o progresso que tem sido feito no combate ao desmatamento e a necessidade urgente de financiamento internacional para o REDD+.

O governador do Pará, Simão Jatene, falou sobre a importância de criação de atividades alternativas ao desmatamento. “Quando você combate atividades econômicas que são agressivas ao meio ambiente, como a extração ilegal de madeira, certamente cria um vazio nas economias locais, pois essas atividades estavam incorporadas no dia a dia e na vida das pessoas. Então é importante que sejam substituídas por outras atividades menos agressivas, mas que garantam a sobrevivência das pessoas. Só assim vamos enfrentar essa questão climática e fazer do desenvolvimento sustentável não apenas duas palavras, mas algo incorporado na vida das pessoas”, disse.

A contribuição da Noruega vai desempenhar um papel importante no apoio a implementação da Declaração de Rio Branco. Introduzida em 2014, o documento estabelece compromissos para os membros do GCF em reduzir o desmatamento em 80% até 2020, vinculada a financiamento internacional; criar parcerias com cadeias produtivas sustentáveis; e dedicar uma parte substancial do financiamento para comunidades indígenas e tradicionais. Bjurstrøm observou que a Declaração de Rio Branco “aumentou o nível de ambição e ajudou a colocar a floresta no topo da agenda na Cúpula do Clima da ONU, em setembro do ano passado”.

Com coordenação do Fundo GCF, os membros do GCF vão agora trabalhar para alavancar novas fontes de financiamento públicas e privadas para cobrir as lacunas do financiamento do clima em nível subnacional. Esses esforços serão essenciais para alcançar metas nacionais e subnacionais de redução do desmatamento e limitar o aumento da temperatura global para menos de 2ᵒ Celsius.

Segundo Mariano Cenamo, Pesquisador Sênior do Idesam e coordenador das ações do GCF no Brasil, “existe uma lacuna enorme de financiamento para o REDD+ na Amazônia. Infelizmente, o financiamento para o REDD+ ainda não chegou na escala necessária e os Estados da Amazônia estão trabalhando para buscar novos recursos”. Segundo informações da Carta de Cuiabá, as reduções de emissões já alcançadas e as previstas, as jurisdicções subnacionais poderiam arrecadar cerca de R$ 135 bilhões.

O apoio ao Fundo GCF destaca a importância da liderança subnacional no combate às mudanças climáticas antes da 21ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidades sobre Mudança Clima (COP21), que acontecerá em Paris, França, em dezembro. Um estudo recente do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) estima que mais de 80% das ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas ocorrem em nível subnacional. Os membros do GCF Task Force irão carregar essa mensagem para Paris para realçar o seu progresso e continuar a trabalhar em soluções para combater o desmatamento.

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