Cadastro na IUCN potencializa trabalho em Unidades de Conservação

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Por Samuel Simões Neto

A partir de setembro de 2014, o Idesam passou a integrar um grupo de instituições cadastradas no UICN (União Internacional para Conservação da Natureza, do inglês International Union for Conservation of Nature – IUCN). O processo de cadastro foi iniciado em março de 2014 e considerou a atuação do Idesam em áreas protegidas do Amazonas, principalmente na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, localizada no leste do estado.

O secretário executivo do Idesam, Carlos Koury, destaca a importância de ter uma aliado internacional na discussão de temas sobre conservação. “Existe uma  constante pressão sobre as áreas protegidas, visando à diminuição de áreas ou sua reclassificação para categorias mais frágeis. O apoio de uma entidade desta esfera é importante, pois a rede formada pela IUCN pode endossar a defesa da garantia da conservação das áreas protegidas, para que elas possam atender aos seus objetivos de criação”, destaca.

Ainda nesse sentido, Koury reforça que a criação de UCs não resolve os problemas locais, sendo fundamental a implementação efetiva das mesmas, através de ações positivas e investimentos.

Das organizações quem atuam em UCs do Amazonas, já são membros da UICN o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), a Fundação Vitória Amazônica (FVA), o Instituto Mamirauá, o WWF-Brasil e a Fundação O Boticário Proteção à Natureza.

Congresso Internacional na Austrália

Entre os dias 12 e 19 de novembro, a IUCN realizará, em Sydney (Austrália), o Word Park Congress, evento que ocorre a cada dez anos e busca unir experiências em todo o mundo voltadas para conservação e preservação ambiental.

O Idesam participará do evento e, juntamente com outras instituições latino-americanas que compõem a UICN América do Sul, apresentará um estudo das lições aprendidas na região no período de 2004 e 2014.

Para esse estudo – produzido durante um encontro regional que ocorreu de 3 a 5 de setembro,  em Manaus – , o Idesam levou as experiências do Turismo de Base Comunitária e manejo florestal comunitário na RDS do Uatumã, além de contribuir com a revisão do documento como um todo.

“A estrutura que foi viabilizada pelas organizações que trabalham na RDS para permitir o surgimento de iniciativas comunitárias, desde a conquista da CDRU coletiva até a concessão dos direitos da gestão turística pela associação-mãe das comunidades (AACRDSU) são exemplos que o Idesam está compartilhando na publicação a ser lançada”, destaca Koury.

Troca de experiências

Para o secretário executivo do Idesam, a importância de fazer parte desta plataforma é exatamente poder compartilhar informações com as maiores instituições que trabalham com áreas protegidas em todo o mundo.  “Nós podemos levar nossas práticas para debates mais amplos e também colher boas experiências no resto do mundo. O Brasil tem muito a ensinar, mas também muito a aprender”.

Koury destaca alguns avanços da Amazônia como exemplares para a efetiva implementação de UCs. O principal exemplo é a concessão de direito real de uso (CDRU) entregue aos moradores de algumas unidades do Amazonas, que proporcionou segurança fundiária aos moradores, permitindo o desenvolvimento de novas ideias. O modelo do ARPA, programa de gestão que operacionaliza os recursos nas Unidades de Conservação, e o programa de concessões florestais madeireiras também são considerados bons exemplos.

Por outro lado, a região tem uma baixa efetividade na atividade turística e aproveita muito pouco o potencial de suas Unidades de Conservação. No Amazonas, por exemplo, das 41 unidades sob gestão estadual, somente a RDS do Uatumã e a RDS Mamirauá possuem plano de uso público, documento que regula as atividades a serem desenvolvidas.

“A gente não aproveita quase nada frente a outros países muito menores e com muito menos áreas protegidas”, aponta. Dessa forma, o congresso será uma excelente oportunidade de troca de experiências, novos projetos e fortalecimento de ações para as UCs.

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