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Movelaria comunitária do Uatumã acrescenta quatro novos modelos à linha de objetos de madeira manejada

Movelaria comunitária do Uatumã acrescenta quatro novos modelos à linha de objetos de madeira manejada

Iniciativa comercializou 70 objetos em 2021 e beneficiou, com a renda obtida, cinco famílias da comunidade São Francisco das Chagas do Caribi.

 

Por Assessoria
Fotos: Divulgação

 

Como estratégia de agregar valor à madeira do Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã comercializaram, no último mês de 2021, 70 objetos de madeira produzidos na movelaria estruturada e licenciada na comunidade São Francisco das Chagas do Caribi. A comercialização gerou receita de R$ 13,3 mil, beneficiando cinco famílias da comunidade.  Esta foi a primeira comercialização da movelaria, cuja estruturação e licenciamento foram financiados pela CLUA (Climate and Land Use Alliance). Para 2022, a produção e comercialização da coleção Inatú Uatumã serão ampliadas com a inclusão de quatro novos modelos de objetos de decoração e utilidade, atividade esta também apoiada pela CLUA.

“A movelaria comunitária foi instalada por meio de um processo de aprovação validado pelos moradores e conselheiros da RDS Uatumã, em 2019. Sua instalação veio após licenciamento ambiental, em 2021, e sua construção e instalação de máquinas foi apoiada financeiramente pelo Projeto Clua Everwood, do CLUA”, contextualiza Marcus Biazatti, coordenador técnico do Idesam.

A iniciativa liderada pelo Idesam, impulsiona a cadeia de valor do manejo florestal na RDS do Uatumã, iniciada pelo projeto Cidades Florestais, que foi financiado pelo Fundo Amazônia/BNDES, ao gerar produtos de maior valor agregado e com uso de menor volume de madeira do plano de manejo. No manejo florestal comunitário, os moradores mobilizados conduzem uma atividade econômica oposta ao desmatamento, apoiando-se em um uso racional e ambientalmente adequado dos recursos da floresta. Isso possibilita, por meio do estoque de árvores remanescentes, a manutenção da estrutura florestal e sua plena recuperação. Nas palavras de Elizângela Cavalcante, moradora beneficiada pela iniciativa, também se trata da realização de um sonho.

“Nós sempre tivemos a vontade de trabalhar com madeira aqui, mas queríamos trabalhar de forma legal. E essa oportunidade nós já tivemos quando conseguimos licenciar nosso plano de manejo da RDS Uatumã. Primeiro, montamos nossa movelaria e, hoje, temos a objetaria. Produzimos pequenos objetos de madeira para decoração e até utensílios para cozinha”, explica a comunitária.

 

“Trabalhar com madeira não é trabalho, é prazer. Você criar uma peça com as próprias mãos é algo encantador, fascinante. Além disso, a produção de objetos de madeira é muito importante para mim e para minha família, por causa do que estamos aprendendo e por nos trazer renda, sem falar que nos permite ficar mais tempo na RDS, na nossa comunidade. Senão, teríamos que procurar outros trabalhos, em outras localidades”

Elizângela Cavalcante, moradora da comunidade São Francisco das Chagas do Caribi e participante da iniciativa

 

Trajetória

O Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) comunitário da RDS do Uatumã  teve início no ano de 2018, com a definição do tamanho e da localização da área de manejo, bem como sua posterior aprovação no conselho deliberativo da RDS Uatumã. Em 2019, foi aprovada a Análise Prévia à Análise Técnica (APAT) e realizado um inventário florestal da Unidade de Produção Florestal (UPF) 1.

Em 2020, o PMFS foi aprovado pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e, no mesmo ano, ocorreu a primeira etapa produtiva na área de manejo, com 14 famílias envolvidas. Recentemente, o manejo florestal recebeu a Certificação Florestal FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal, em português) e está em processo de renovação da Licença de Operação da UPF1, junto ao Ipaam.

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