“REDD+ nos estados da Amazônia” é lançado durante a Rio+20

21 de junho de 2012

Traçar um panorama do status atual das políticas e iniciativas relacionadas a mudanças climáticas e serviços ambientais: é esse o objetivo do relatório “REDD+ nos estados da Amazônia: Mapeamento de iniciativas e desafios para integração com a estratégia brasileira”lançado na última sexta-feira, 16 de junho, dentro da programação da Rio+20. A publicação foi desenvolvida através de uma parceria entre o IDESAM e a Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (SMCQ/MMA) e recebeu apoio financeiro da Embaixada do Reino Unido no Brasil.

Sete dos nove estados da Amazônia Brasileira foram analisados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. A escolha foi baseada no avanço na elaboração de políticas e regulamentações sobre REDD+, os investimentos feitos em termos de iniciativas voluntárias e projetos financiados pelo Fundo Amazônia.

De acordo com Mariana Pavan, pesquisadora do Idesam e uma das responsáveis pelo estudo, além de apresentar o contexto nacional e internacional de REDD+, o relatório aborda o contexto subnacional, as iniciativas e os instrumentos técnicos e econômicos de cada Estado. “Foram dois os objetivos: analisar as iniciativas que estão em andamento, sejam elas políticas, leis, projetos ou simplesmente processos de discussão; e também entender quais são os principais desafios e as demandas na integração dessas iniciativas subnacionais para uma futura estratégia nacional de REDD+”, explicou.

Pesquisador-do-Idesam,-Mariano-Cenamo,-apresenta-panorama-de-REDD-nos-Estados-da-Amazonia

Para Natalie Unterstell, gerente de projetos da SMCQ/MMA, o relatório é um trabalho que também traz uma série de desafios que deverão ser considerados na elaboração – e implementação – de uma estratégia brasileira de REDD+. “O Brasil tem experiências muito significativas na área da redução de emissões do desmatamento e degradação florestal, mas ainda tem muito mais pra acontecer. Além da redução de perda de florestas, a gente tem que começar a ganhar florestas”, afirmou.

Natalie destacou que o Ministério vem trabalhando no desenvolvimento de uma estratégia brasileira que envolva todos os biomas e que possa abranger a diversidade de desafios das várias regiões brasileiras; o primeiro passo foi a publicação lançada durante o evento. “Foi um trabalho muito interessante de contato direto com pesquisas, com a opinião de atores da área. É um modelo que pode ser replicado aos outros biomas brasileiros”, explicou.

“Em muitos momentos as políticas são bastante parecidas, preveem os mesmos mecanismos e adotam estratégias semelhantes, ainda que sejam diferentes no sentido de refletir os diferentes contextos de cada estado”, explicou Mariana Pavan.

Durante o evento, o pesquisador sênior e secretário executivo adjunto do IDESAM, Mariano Cenamo, apresentou um resumo do que cada Estado está fazendo em suas políticas de mudanças climáticas e serviços ambientais e destacou algumas iniciativas que já estão em desenvolvimento – como o Projeto Carbono Florestal Suruí, validado no VCS no último mês de abril. Segundo ele, aproximadamente 55% da redução de emissões estabelecidas como meta nacional de emissão do Brasil seria atingidas apenas por redução do desmatamento da Amazônia. “A questão que nós colocamos é que a Amazônia tem 60% do território nacional, mas pouco menos de 10% do PIB. Uma questão feita pelos Estados foi: ‘É justo a Amazônia pagar sozinha pela conta da redução do desmatamento do Brasil? Como criar um mecanismo de repartição mais justo para atingir essa meta?”, disse.

O Secretário de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Klink, foi responsável por guiar o evento, que também contou com a presença de Natalie Unterstell (MMA), Jorge Hargrave e Ronaldo Seroa (Ipea), Plinio Ribeiro (Biofilica), Brenda Brito (Imazon), Leonardo (IEB) e Marco Antonio Fujihara (Key Associados).

A publicação já está disponível em nossa biblioteca. Clique aqui para visualizar o arquivo.

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