COP15 – O maior público já esperado na história das COPs

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A 15ª Conferência das Partes da UNFCCC (COP15) começou hoje em Copenhage. Em meio ao maior público já esperado em toda a história das COPs, as filas de espera para registro e retirada de credenciais tem durado até 3 horas. Sem dúvidas, essa será a COP que apresentará (espera-se) os números mais importantes da história da Convenção do Clima!

Por hora, já podemos citar alguns deles, como os de 735 delegados que compõe a maior delegação brasileira da história (entre reais negociadores do governo, empresários e ONGs), ou os 15.000 participantes que são esperados durante o período da Convenção. Mas, o que todos nós esperamos de verdade, são os números de metas de redução que serão colocados nas mesas de negociação pelos países participantes. Segundo o IPCC, a redução de emissões proposta pelos países ricos para 2020 deve ser de 25 a 40% do que era emitido em 1990 – esforço necessário para nos manter abaixo do temível aumento de 2oC na temperatura media global.

O dia de hoje foi caracterizado pela abertura oficial e o estabelecimento da agenda de trabalho dentro das plenárias dos dois grupos de trabalho (AWGs LCA e KP). Na plenária do AWG-LCA (Ad Hoc Working Group on Long Term Cooperative Action), que é o grupo de trabalho que trata das ações de cooperação a longo prazo, os pronunciamentos das partes expressaram em consenso a grande urgência e necessidade do estabelecimento de um acordo que seja ambicioso, efetivo e comprometedor para o período pós-2012. Diversas partes salientaram também a necessidade de não comprometer as diretrizes dadas pelo Plano de Ação de Bali e todo o trabalho que foi desenvolvido nestes dois anos, fazendo referência à tentativas de alguns países de acabar com o Protocolo de Kyoto. Os Estados Unidos aproveitaram o palco para anunciar suas metas de 17% de redução (sobre os níveis de 2005 até o ano de 2020), que, ainda que significativas, precisam ser ainda mais ousadas.

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No Grupo de Trabalho AWG-KP (Ad Hoc Working Group on Further Commitments for Annex I Parties under the Kyoto Protocol) que negocia os compromissos futuros dos Países Anexo I dentro do Protocolo de Quioto, as discussões foram focadas nas metas de redução para o período pós-2012. Como consenso, a maioria das partes salientou que a continuação do Protocolo de Quioto após 2012 é crítica e essencial, e foi reforçada a necessidade dos países do Anexo I cumprir suas metas. Algumas partes, como a Aliança de Pequenos Países Insulares (AOSIS) declarou que reduzir as emissões é economicamente e tecnologicamente viável, o que falta é ambição para realizá-la, necessitando mais de vontade e ações do que habilidade política em fazê-la.

Muitos países protestaram que as metas devem ser focadas em limitar o aumento da temperatura em até 1,5° C (45% de redução de emissões globais em relação ao nível de 1990). Entretanto, os esforços atuais revelam uma redução de somente 19%, aquém da meta de redução para 2020, demonstrando pouco comprometimento dos países desenvolvidos na redução de suas emissões. A União Européia declarou que o mais importante é chegar a um consenso em relação às metas de redução de emissões.

Ao final deste primeiro dia, continua pairando sobre a fria Copenhagen o clima de urgência. O volume de itens que devem ser discutidos nestas duas semanas é bastante grande, e alguns deles bastante polêmicos, o que não indica muito sinal de consenso entre as partes.

Caso este consenso não seja atingido, corre-se o risco de, ao final destes 14 dias, não chegarmos a um futuro acordo climático, o que representaria um grande fracasso. Resta esperar que os países sejam capazes de pôr de lado seus próprios interesses econômicos e se unam pelo propósito de garantir a estabilidade do clima para o bem-estar das futuras gerações.

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