Agricultura sustentável indígena em São Gabriel da Cachoeira

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Por Marina Yasbek, pesquisadora do Idesam  

De 22 de agosto a 5 de setembro, a equipe do Idesam esteve em São Gabriel da Cachoeira para a continuidade das atividades iniciadas no último mês de abril, pelo Projeto SAF Indígena.  Nessa segunda etapa, a equipe implantou dois bancos de propágulos de sementes tradicionais, realizou o manejo de duas unidades demonstrativas de agrofloresta  – implantadas em abril e maio desse ano – e iniciou a construção de dois viveiros: O primeiro, de mudas nativas florestais e medicinais, na sede da Associação Centro de Acolhida de Mulheres Indígenas, e outro viveiro mais simples, na propriedade de um produtor indígena com vasta diversidade de variedades tradicionais, dentre elas o milho crioulo.

Além disso, o Idesam foi convidado a compor o “Conselho da Roça”, iniciativa do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em parceria com o ISA (Instituto Socioambiental) e a Foirn (Federação dos Povos Indígenas do Rio Negro). O intuito desse conselho é orientar a escolha de políticas públicas de assistência técnica e extensão rural aos povos nativos da região, bem como propor ações de salvaguarda para o Sistema Tradicional Agrícola do Rio Negro, primeiro e único tombado como bem imaterial do Brasil em 2010.

Enquanto único órgão de assistência técnica atuante na região, à exceção do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas), a participação do Idesam na reunião de formação do conselho foi de suma importância para o estabelecimento de programas de agricultura sustentável na região. As diferenças de organização social entre as comunidades mais isoladas, nas cabeceiras dos afluentes no Alto Rio negro e as comunidades periurbanas em São Gabriel são diversas. Contudo, a agricultura praticada em ambas realidades apresenta uma grande demanda em comum: a organização da agricultura tradicional para a geração de renda de forma a não comprometer a biodiversidade dos plantios (atualmente em declínio) e não mais apenas como fonte de subsistência.

Outro gargalo muito ressaltado pelos conselheiros indígenas é a comercialização de seus produtos, sejam extrativistas ou não.

A inclusão das mulheres indígenas no funcionamento do viveiro, em parceria com benzedores tradicionais (pajés da etnia Tuyuka) para a propagação das plantas medicinais, atende demandas sociais que felizmente extrapolaram os objetivos do projeto. A produção do viveiro poderá ser utilizada para as futuras ações de assistência técnica do Idesam no município, como também para outras ações de agricultura sustentável, restauração florestal e educação ambiental desenvolvidos na região por demais instituições publicas e privadas.

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Milho crioulo produzido em área demonstrativa de sistema
agroflorestal implantada em maio, na comunidade de Duraka.

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Reunião de formação do Conselho da Roça (na sede do ISA – Instituto
Socioambiental, em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas)

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