Sobre a coleta de sementes em Apuí

coleta-sementes-1Por Marcelo Jacaúna, técnico do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí

Em 2013, o período de coleta de sementes em Apuí foi iniciado em fevereiro e se estendeu até o final de maio. A Rede de Sementes do município – equipe formada durante a primeira fase do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí – concretizou sua proposta inicial de coletar 1 tonelada de sementes de espécies nativas. No total, a rede de sementes já gerou, desde a sua criação, uma renda de aproximadamente R$ 65 mil. A equipe conta atualmente com 29 coletores capacitados em manejo e coleta de sementes nativas.

Durante esses quatro meses de trabalho, a equipe coletou várias espécies de interesse comercial e ambiental. Entre as principais estão a Andirobinha (Carapa procera Dc.), o Ipê-Amarelo (Tabebuia serratifolia (Vahl)Nich), Cedro-rosa (Cedrela odorata (L), Faveira-ferro (Dinizia excelsa Ducke), Jatobazinho (Hymenaea oblongifolia (Flora duck), Cumaru (Dipteryx odorata (Aubl) Willd.), Jenipapo (Genipa americana) e Piquiá (Caryocar villosum (Aubl), Pers.).

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Coletor utilizando equipamento de arborismo, na coleta do Cedro-rosa (Cedrela odorata (L); Casa de Beneficiamento ilustra o espaço onde está sendo beneficiado o Piquiá (Caryocar villosum (Aubl), Pers).

Para que as atividades da Rede de Sementes sejam realizadas de modo eficiente, é preciso que o processo seja dividido em três fases principais: o planejamento, a coleta e o beneficiamento.

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Sementes de jatobazinho no processo de beneficiamento; Beneficiamento do Piquiá.

Durante o planejamento, é importante lembrar que, para que a coleta abranja a maior diversidade possível de espécies, é importante saber identificar as matrizes e conhecer as épocas de amadurecimento dos frutos, além de possuir métodos e equipamentos adequados para coletá-los. Algumas espécies, por exemplo, são colhidas com o fruto ainda verde, outras devem ser coletadas no início do processo de amadurecimento, outras ainda podem ser coletadas no chão, depois da queda. Saber os procedimentos relacionados a cada espécie é essencial para uma produção de qualidade. (Saiba mais em Tecnologia a serviço da Sustentabilidade)

Além disso, o principal insumo da produção de mudas é a semente, ou seja, para que se possam produzir mudas de boa qualidade, alguns aspectos quanto à manipulação, ou beneficiamento, das sementes devem ser observados para garantir a qualidade dos indivíduos. Esse processo é dividido nos seguintes passos: separação, debulha ou dessecamento, pró-limpeza, secagem, tratamento e embalagem.

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Ferramentas utilizadas para facilitar a limpeza das sementes; beneficiamento da andirobinha no campo.

A separação é remoção de toda impureza que acompanha as sementes (assim como as sementes roídas, rachadas, quebradas, danificadas por insetos) – um dos processos que exige maior cuidado. Essa parte do processo deve ser feita de modo a evitar a perda de sementes boas. Inevitavelmente algumas são removidas, mas o objetivo é minimizar essa perda.

Publicação – Atualmente, todo o material resultado dos trabalhos de pesquisa, coleta e produção de sementes e mudas desenvolvido pelo Idesam está sendo organizado no livro árvores do Sul do Amazonas: Guia de Espécies de Interesse Econômico e Ecológico, que será lançada em agosto desse ano. O guia vai trazer informações específicas sobre mais de 40 espécies encontradas na região e é voltado para coletores, produtores ou qualquer pessoa interessada em trabalhar com a coleta de sementes em Apuí e municípios vizinhos.

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